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Exposição Noosferas, Florianópolis, 2015

De 21 de julho a 20 de agosto de 2015.

Meg Tomio Roussenq e Flávia Tronca propuseram o nome ‘NOOSFERA”, para esta exposição.  Noosfera ou esfera do pensamento humano foi assim definida por Teilhard Chardin, em  conceito usado para explicar o nascimento e o desenvolvimento antropológico da mente humana a partir do qual o filósofo Pierre Lévy introduziu a ideia da inteligência coletiva, ligando-a a um sistema virtual complexo que, para ser acompanhado, precisa de atenção constante, pois  contrariamente ao possível, estático e já constituído, o virtual é o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer e que necessita de um processo de atualização sem parar. Se a noosfera é intrínseca ao homem, a midioesfera, outro conceito que o completa, é algo externo. Trata-se de uma influência criada por meios de comunicação de massa. É a esfera das mídias, da informação pré-fabricada, da manipulação, formas de linguagem e significações de novos suportes tecnológicos e assim sendo foge do domínio do homem. Hoje, mais do que nunca, com a sociedade contemporânea valorizando a imagem, com a superficialidade dos meios de comunicação cada vez mais evidente e com a massa imersa num vazio existencial, é fundamental investigar a noosfera e a midiosfera.

A arte, o pensamento e a ciência têm origem comum, são produções do humano; nascem da relação de provocação do mundo para com o homem que, ao solicitar uma intervenção modificadora, afeta o homem e é por ele afetado e almejam a mesma coisa: o conhecimento ou a "experiência desmesurada do obscuro", a vida exemplificada pelo desvio. Dentro da humanidade, ao longo do tempo, desenvolveu-se uma técnica peculiar de criar universos particulares. A noosfera está ligada ao significado das coisas, aos símbolos e às tentativas de compreender o que é o ser humano dentro de um universo vasto que ultrapassa explicações. Inseridos na noosfera desenvolveram-se os seres mitológicos, os deuses, os heróis, os demônios e uma gama de criaturas imaginárias que refletem anseios. O que desejam comunicar as artistas?

Meg e Flávia, cada qual a seu modo, como o fazem muitos artistas, reagem à potente força da midiosfera e mesmo utilizando formas de linguagem e significações de novos suportes tecnológicos, rejeitam o engenho da mídia. Rejeitam a padronização, aceitam a experiência do obscuro, a vida exemplificada pelo desvio.  Percebemos nas duas artistas, uma preocupação grande com a querer “ Comunicar”, sendo que Meg afirma seu dilema em criar as abstrações de objetos isolados e  acreditar que elas pertencem a uma realidade objetiva  e Flávia aceita que cada uma dessas formas geométricas se integra a um total abstrato que apresenta uma impossibilidade de comunicação através das palavras e ao mesmo tempo apresenta um passeio pelos sentidos. Sim – NOOSFERA -  produzindo o efeito de um nevoeiro, de tela entre o mundo cultural, que avança cercado de nuvens, e o mundo da vida, reencontrando o paradoxo: “o que nos faz comunicar é, ao mesmo tempo, o que nos impede de comunicar”,  como diz Edgar Morin.Para isso serve a arte, a vida exemplificada pelo desvio.

Sandra Makowiecky- Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte - ABCA

Centro Integrado de Cultura – CIC. Florianópolis | SC.

De 21 de julho a 20 de agosto de 2015.

Curadoria de Marina Tavares.